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O programa Juntos por Famílias Saudáveis na Nigéria, que recebeu o Subsídio de Grande Escala do Rotary em 2022, propôs-se a ampliar o acesso dos nigerianos a cuidados de saúde de alta qualidade, visando aumentar o número de partos em unidades de saúde e reduzir as mortes maternas e infantis. Quando associados e parceiros do Rotary ouvem sobre o programa, eles frequentemente fazem uma pergunta: Como vocês conseguiram resultados duradouros?
A resposta não é uma fórmula mágica. Aprendemos que o impacto sustentável depende menos de projetos individuais liderados por clubes ou distritos e mais da capacidade dos associados de mobilizar as pessoas certas e fornecer orientação estratégica e supervisão, assim como do nível de prontidão dos sistemas locais para assumirem a liderança. Aqui estão cinco lições que se destacaram.
1. Trabalhe com o governo desde o primeiro dia
Uma das nossas primeiras constatações foi que, para que se possa esperar que um governo dê continuidade a uma intervenção, ele deve ajudar a elaborá-la e implementá-la desde o começo.
Alinhamos os cronogramas de treinamento aos calendários de saúde estaduais, harmonizamos as ferramentas de monitoramento com os sistemas de informação em saúde existentes e desenvolvemos protocolos que as equipes governamentais pudessem replicar facilmente. Assim que nosso trabalho passou a fazer parte do trabalho deles, o senso de responsabilidade aumentou e a duplicação de esforços diminuiu.

Profissionais de saúde na Nigéria conduzem um diálogo comunitário.
Crédito da imagem: Maryam Turaki
2. Planeje a saída antes da entrada
Aprendemos rapidamente que as transferências raramente dão certo quando são tratadas como um evento final.
Em vez disso, a sustentabilidade deve ser projetada em conjunto, orçada e incorporada à implementação desde o início. Isso exigiu uma sensibilização contínua junto às autoridades estaduais e locais, mas garantiu que os parceiros compreendessem, assumissem a responsabilidade e estivessem preparados para dar continuidade ao trabalho muito antes de o Rotary sair de cena.
3. Deixe que os dados orientem as decisões
Uma lição que aprendemos repetidamente foi que cada comunidade é diferente.
No estado de Gombe, por exemplo, o aumento da conscientização não estava se traduzindo em um número maior de partos em unidades de saúde. Em vez de realizar mais ações de conscientização por meio de diálogos comunitários, investigamos as barreiras e descobrimos que o transporte e o custo eram os verdadeiros desafios.
Essas evidências ajudaram a persuadir os parceiros governamentais a disponibilizar ambulâncias para unidades secundárias e a envolver os profissionais de transporte no apoio aos encaminhamentos para os centros de saúde primários. A resposta surgiu porque os dados apontavam para uma solução clara — e não porque nós fizemos algum tipo de pressão.
4. Considere as estruturas da comunidade como parte do sistema
Os resultados em saúde dependem de mais do que apenas profissionais capacitados. Uma parteira qualificada não pode salvar vidas se uma gestante não conseguir chegar a um centro de atendimento a tempo.
Aprendemos a reconhecer as comissões de desenvolvimento distritais, os líderes tradicionais, os sindicatos de transporte e as redes de encaminhamento como partes essenciais do sistema de saúde. O envolvimento deles fortaleceu a confiança, melhorou os encaminhamentos e ajudou as comunidades a assumirem a responsabilidade pela proteção de mães e crianças.
5. Construa sistemas, não apenas relacionamentos
Para proteger os avanços alcançados, trabalhamos com autoridades governamentais para desenvolver procedimentos operacionais padronizados e defender sua inclusão nos orçamentos e planos do governo. A institucionalização de práticas bem-sucedidas ajuda a garantir que os avanços sejam mantidos, independentemente de quem ocupe um determinado cargo.
Ao mesmo tempo, alguns de nossos maiores defensores nem sempre foram autoridades seniores. Os funcionários responsáveis pelas áreas do governo local, os membros das comissões de desenvolvimento distritais e os voluntários do Rotary e do Rotaract frequentemente resolviam os problemas muito antes de estes se tornarem desafios. A mudança sustentável depende de defensores em todo o sistema.
Olhando para o futuro
Talvez a principal lição seja que a parceria com o governo não é simplesmente uma atividade de engajamento das partes interessadas — é o motor da sustentabilidade.
Sistemas mais sólidos levam a melhores serviços; melhores serviços geram a confiança da comunidade; e uma maior confiança aumenta a utilização dos serviços. Essa utilização gera os dados necessários para fortalecer ainda mais o sistema.
Nossa responsabilidade era ajudar a dar início a esse ciclo e, em seguida, tornar-nos progressivamente menos necessários para ele. Assim é que a mudança duradoura acontece — e esse é, em última análise, o objetivo de programas sustentáveis de saúde materno-infantil.
Artigo escrito por Toyosi Adebambo e editado por Daniela Kaempfe, do Grupo Rotary em Ação pela Saúde Reprodutiva, Materna e Infantil. Leia mais em rotaryserviceblog.org.
Artigo originalmente publicado na edição de outubro de 2025 da revista Rotary.

