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Quando uma reunião on-line do Rotary começa em um dia de julho, logo fica claro que ela é típica em todos os aspectos, exceto um. Os quadrados coloridos aparecem na tela, mostrando associados de diferentes partes do mundo: Nigéria, Canadá, Tailândia, Noruega e mais de uma dúzia de outros países. A diferença é que todos eles são do sexo feminino.

O tema da reunião é sobre a influência da associação ao Rotary na carreira das mulheres. Algumas contam como foram beneficiadas por projetos, clubes ou bolsas de estudo do Rotary.

“Minha bolsa educacional me ajudou a migrar de um jornal para o rádio e TV”, disse a diretora do RI, Eve Conway-Ghazi, uma jornalista da Inglaterra. “Por meio de um contato do Rotary, comecei a fazer documentários sobre o combate ao câncer de mama no Paquistão.”

Outras falam sobre as habilidades que adquiriram ao trabalhar em projetos do Rotary.

“Amadureci ao visitar diferentes comunidades e entender seus problemas”, afirma Geeta Manek, ex-curadora da Fundação Rotária que mora no Quênia. “Se eu não fosse associada do Rotary, talvez tivesse feito uma doação aqui e ali, mas não teria entendido os desafios que essas comunidades enfrentam e como podemos lidar com as causas subjacentes.”

Este é um grupo de cerca de 35 mulheres que já serviram ao Rotary como curadoras ou diretoras ou em outras funções de liderança. O evento foi organizado durante a pandemia de covid-19 por Johrita Solari, ex-vice-presidente e diretora do RI nos Estados Unidos. As discussões geralmente são abrangentes, abordando desde projetos em andamento até questões pessoais e carreira.

“É uma conversa sobre como ser melhor do que somos e como apoiar umas às outras”, diz Solari.

Nossas pesquisas mostram que as mulheres encontram uma variedade de networking por meio do Rotary:

  • 61% das associadas que participaram de Grupos de Companheirismo do Rotary o fizeram em parte para encontrar contatos profissionais.
  • 84% disseram que o Grupo de Companheirismo do qual participaram atendeu às suas expectativas.
  • 65% participaram de Grupos Rotary em Ação o fizeram em parte para encontrar contatos profissionais. 85% disseram que o Grupo Rotary em Ação do qual participaram atendeu às suas expectativas.
  • 68% das associadas que participaram de um Intercâmbio Rotário da Amizade o fizeram em parte para encontrar contatos profissionais.
  • 97% afirmaram que o Intercâmbio atendeu às suas expectativas.

Este encontro é apenas uma das muitas maneiras pelas quais as mulheres no Rotary formam relacionamentos profissionais valiosos. Algumas se juntam ao Grupo de Companheirismo Rotary e Negócios, que facilita o networking, e outras entram para Grupos Rotary em Ação ou participam de Intercâmbios Rotários da Amizade para fazer conexões. Muitas dizem que o Rotary as ajuda a estabelecer contatos profissionais, expandir suas habilidades e, talvez mais importante ainda, encontrar a inspiração para estabelecer metas mais altas para si mesmas.

Um mundo imperfeito de negócios

A chance de fazer conexões e adquirir novas habilidades é particularmente crucial para as mulheres no mundo dos negócios. Apesar de terem consolidado seu lugar na força de trabalho em muitos países, as mulheres ainda encontram barreiras para progredir. De acordo com um relatório da rede social LinkedIn, estima-se que, globalmente, menos de um terço dos cargos de liderança das empresas sejam ocupados por mulheres, embora elas ocupem metade ou mais dos cargos de nível básico.

“Como somos uma sociedade predominantemente patriarcal, acho que os homens tendem a se aproximar de seus semelhantes em vez de mulheres no mundo profissional”, diz Sybil Bailor, ex-presidente do clube de Serra Leoa. Ela trabalha com gerenciamento de projetos e administra um hotel. “Há certas normas, explícitas ou implícitas, para abordar homens quando se trata de networking e negócios”, acrescenta.

Esses protocolos muitas vezes não são esclarecidos para as mulheres, e há outros desafios. Em uma reunião com apenas uma mulher, os homens podem presumir que ela fará as anotações, mesmo que ela tenha um cargo acima de muitos deles. Executivos às vezes se reúnem depois do trabalho em lugares que não são acolhedores ou confortáveis para as mulheres. Pode haver regras implícitas sobre o que as mulheres devem vestir. Foi isso que uma rotariana aprendeu quando começou a trabalhar em um escritório de advocacia no Reino Unido.

“Eu era a chefe do departamento turco, por isso prestava mais atenção às minhas roupas”, diz Funda Göğebakan, presidente de um clube na Turquia. “No meu primeiro dia, fui com um vestido vermelho. Eles disseram: ‘Sim, você está bem vestida. “Mas, de acordo com as regras da nossa empresa, recomendamos que opte por modelos cinzas ou pretos.”

Pioneirismo em networking

Em alguns países, as mulheres são excluídas de eventos sociais fora do trabalho. “Em situações assim, é essencial encontrar meios de fazer networking”, diz Hyun-Sook Lee, encarregada da filial de uma cadeia de cinemas e ex-presidente de um clube na Coreia do Sul.

”Na Coreia, as reuniões após o trabalho, especialmente aquelas que envolvem bebidas alcoólicas, são uma grande parte do networking profissional e da troca de informações. Nessas reuniões, formam-se vínculos e negócios. Eu não bebo e raramente participo desses eventos, o que às vezes me faz sentir como se estivesse perdendo oportunidades importantes de fazer contatos profissionais e avançar na minha carreira.”

É aqui que entra o Rotary. Além de oferecer conexões profissionais em ambientes mistos, a associação ao Rotary oferece muitas outras oportunidades de networking. Cerca de dois terços das mulheres que participaram de Grupos Rotary em Ação, Grupos de Companheirismo ou Intercâmbios Rotários de Amizade o fizeram, em parte, para fazer contatos profissionais.

“O Rotary foi a primeira organização de networking”, diz convicta a presidente do RI, Stephanie Urchick, que é dos Estados Unidos. “O princípio básico de networking sempre foi o mesmo: trata-se de formar relacionamentos. O Rotary é um lugar onde todas as pessoas têm um desejo em comum: servir e tornar o mundo um lugar melhor. “Isso nem sempre acontece em outros círculos.”

O caráter internacional do Rotary também oferece muitas oportunidades. A ex-diretora do RI Suzi Howe, que fundou uma escola Montessori nos EUA, diz que muitas vezes usou suas conexões rotárias para apresentar seus alunos a convidados internacionais.

“Nossa escola recebeu a visita de um estudante de intercâmbio da Rússia e um coral de crianças da Nicarágua”, conta Howe. “A internacionalidade do Rotary é um benefício que temos.”

MBA de peso

Muitas mulheres dão crédito ao Rotary por ajudá-las a se desenvolver como líderes. Na reunião on-line de Solari, Nicki Scott, ex-diretora e vice-presidente do RI na Inglaterra, diz que o Rotary pode ajudar as mulheres a superarem o medo de assumir o comando.

“Você aprende muito quando tem coragem suficiente para assumir papéis de liderança. É um MBA inestimável de habilidades de liderança ”, diz Scott.

Para as mulheres que possuem empresas, a associação ao Rotary oferece a oportunidade de aprender com outros empreendedores. Manjoo Phadke, que recebeu do Rotary o Prêmio de Liderança Sylvia Whitlock de 2024, diz que a maioria dos associados do seu distrito são proprietários de empresas.

“Poucos trabalham para outra pessoa. Por isso, eles já viram e fizeram de tudo”, diz Phadke, ex-governadora de distrito da Índia que administra uma escola profissionalizante para estudantes de baixa renda.

Outros afirmam que o estilo de liderança que aprendem no Rotary é mais eficaz do que aquele normalmente encontrado no universo corporativo.

“Quando você trabalha no mundo corporativo, você pode comandar a sua equipe, não é? ” Mas não quando você está no Rotary”, diz Joanne Kam, ex-governadora de distrito de Singapura. Ela trabalha com imóveis e fundou uma empresa de bem-estar. “Não há salários. Todos estão aqui para servir. Então, você tem que inspirar e motivar as pessoas de uma maneira diferente.

A orientação é mais um benefício do Rotary, e é algo que muitas vezes falta às mulheres em suas vidas profissionais. Apenas cerca de 27% das mulheres em cargos de liderança sênior em todo o mundo relatam ter tido um mentor formal, de acordo com um estudo de 2024 da empresa de consultoria DDI, comparado a 38% dos homens.

“Uma das melhores coisas que podemos fazer uns pelos outros no Rotary é servirmos de mentores”, diz Urchick. É um tópico com o qual ela está familiarizada depois de décadas trabalhando como administradora de ensino superior e consultora de liderança. “Pode ser dentro do clube. Pode ser na comunidade. Alguns Rotary Clubs oferecem mentoria em escolas de ensino médio.”

Ou seja, a associação ao Rotary oferece algo talvez mais valioso do que conexões profissionais ou lições sobre negócios: um senso de possibilidade que muitas mulheres não sentiam antes de se associarem.

Esse espírito permeia a reunião on-line de hoje. As participantes haviam planejado discutir as realizações na carreira, mas poucas se limitam a essa definição restrita de satisfação pessoal. Elas falam não apenas de conexões e oportunidades, mas também de inspiração e imaginação. A combinação singular de relacionamentos e voluntariado no Rotary amplia sua confiança sobre o que elas podem alcançar.

“Eu me beneficiei pessoalmente ao me tornar mais empática, tolerante e paciente. O Rotary ensina tudo isso a você”, diz Manek. “Tudo começa com a confiança. O Rotary oferece muito mais do que apenas projetos. Oferece empoderamento também.”

Saiba como o Rotary apoia o empreendedorismo das mulheres e facilita as conexões entre todos os associados.

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