Mensagem do presidente

K.R. Ravindran

Presidente, 2015-16

Maio de 2016

Há alguns anos, uma agência de desenvolvimento bem-intencionada resolveu melhorar o abastecimento de água em uma comunidade rural de Kano, no Quênia. Depois de formar comissões, realizar diversas reuniões e consultar os moradores, o fornecimento de água para irrigação e criação de animais foi identificado como a principal necessidade da comunidade. A agência criou um plano de ação e, pouco tempo depois, iniciou os trabalhos com base no feedback dos moradores consultados.

No entanto, assim que a construção começou, um grupo de mulheres protestou contra a iniciativa, bloqueando a passagem dos trabalhadores e impedindo a construção dos canais que desviariam a água para as lavouras. Depois de investigar a situação, a agência descobriu que havia uma única fonte d’água no local. Se eles desviassem a água para as plantações, dezenas de famílias ficariam sem o precioso recurso natural para beber, cozinhar e limpar. Como resultado, o projeto inteiro teve que ser cancelado.

Isso aconteceu porque nenhum membro da equipe – que era formada unicamente por homens – pensou em consultar as mulheres da comunidade. Durante todo o processo, acharam que os homens sabiam do que a comunidade precisava e falavam em seu nome. Claramente, este não era o caso. Apesar de as mulheres conhecerem as necessidades e recursos da comunidade muito melhor do que os homens, ninguém se preocupou em ouvir o que elas tinham a dizer.

As mulheres começaram a fazer parte da nossa organização somente a partir do final da década de 80, período altamente produtivo da nossa história. Em 1995, a proporção de associados era de 20 homens para cada mulher; hoje, o número aumentou para cinco rotarianos para cada rotariana. Apesar de bom, este progresso ainda não é suficiente. Trata-se de bom senso: para representar e servir nossas comunidades plenamente, precisamos garantir que as mulheres sejam adequadamente representadas na nossa organização.

As normas do Rotary sobre igualdade dos gêneros são absolutamente claras. Mesmo assim, um quinto dos nossos clubes ainda se recusa a admitir mulheres, frequentemente alegando que é difícil encontrar associadas em potencial qualificadas. Para mim, um rotariano que usa este argumento não possui as duas qualificações mais importantes de um associado do Rotary: honestidade e bom senso.

Um clube que se recusa a admitir mulheres conta apenas com metade do talento, habilidades e conexões que poderia ter. Ele não tem acesso a perspectivas essenciais que podem aumentar ainda mais a eficácia dos seus serviços. Além de prejudicar a si mesmo, o clube prejudica o Rotary como um todo quando confirma este estereótipo limitador. Como resultado, enfraquecemos nossa imagem pública e deixamos de atrair associados em potencial, especialmente os jovens, que são cruciais para nosso futuro.

Tolerar a discriminação contra as mulheres é condenar a nossa organização à irrelevância. Não podemos continuar fazendo de conta que vivemos no tempo de Paul Harris, pois nem mesmo ele concordaria com isso. Em suas palavras, “A história do Rotary terá que ser reescrita muitas e muitas vezes.” Cabe a nós garantir que a história que escrevermos sobre do Rotary seja motivo de orgulho para nosso fundador.


Abril de 2016

Muitos anos atrás, na Índia, tive o privilégio de conhecer a Madre Teresa de Calcutá. Ela foi uma mulher incrível, com uma personalidade extremamente marcante. Quando caminhava pelas ruas, a multidão abria caminho à sua frente. No entanto, em suas conversas, ela praticamente não falava sobre os seus grandes feitos. Quando alguém lhe perguntava sobre a sua maior conquista, ela geralmente respondia: "Sou especialista em limpar banheiros".

Apesar de engraçada, a resposta era absolutamente séria. Seu objetivo era cuidar do próximo. Então, se banheiros precisavam de limpeza, ela os limpava. Nenhum trabalho era pequeno demais para essa grande mulher. Ajudar as pessoas necessitadas era o seu dever, e nada no mundo era mais importante do que isso.

Certo dia, um homem muito bem vestido foi a Calcutá à procura da Madre Teresa. As freiras que abriram a porta o informaram que ela estava no fundo da casa, limpando os banheiros. Elas indicaram o caminho e ele, de fato, encontrou a beata esfregando o sanitário. Ela disse oi e, presumindo que ele estivesse ali para fazer trabalho voluntário, começou a explicar como usar a escova de limpeza corretamente e não desperdiçar água. Ela lhe deu uma escovinha e o deixou ali, em seu terno caro, sozinho no banheiro.

Mais tarde, o homem saiu, encontrou Madre Teresa novamente e disse: "Terminei. Posso falar com a senhora agora?". Ela respondeu que sim, claro. O visitante tirou um envelope do bolso e anunciou: "Madre Teresa, sou o diretor da companhia aérea e aqui estão as suas passagens. Quis entregá-las pessoalmente".

Aquele diretor de companhia aérea contou e recontou essa história pelo resto de seus dias. Ele disse que aqueles 20 minutos em que passou limpando o banheiro encheram seu coração com uma alegria que nunca havia sentido. Ao ajudar a Madre Teresa, ele se tornou parte de seu trabalho. Naqueles 20 minutos, ele cuidou dos enfermos assim como ela: com suas próprias mãos e com seu próprio suor.

E é exatamente esta a oportunidade que o Rotary nos dá. Podemos não fazer o que a Madre Teresa fez – renunciar nossas próprias vidas, casas e famílias. Mas por 20 minutos, 20 horas ou 20 dias do ano, podemos ser como ela.

Podemos fazer o trabalho que outras pessoas não estão dispostas a fazer. Podemos fazê-lo com nossas mãos, nossos corações, nosso suor e nossa devoção, sabendo que esse trabalho é o mais importante do mundo.


Março de 2016

Alguns anos atrás, fui convidado para fazer uma palestra em um Interact Club da minha cidade, Colombo, no Sri Lanka. Como sempre levei minhas interações com os jovens do Rotary muito a sério, preparei meu pronunciamento cuidadosamente e me dediquei à apresentação da mesma forma que faria em qualquer outro evento. Depois da reunião, fiquei no local para conversar com alguns interactianos, respondi às suas perguntas e lhes desejei sucesso.

Ao sair da sala onde havíamos nos reunido naquela tarde de outono, os fortes raios do sol atingiram diretamente os meus olhos. Encontrei um lugarzinho à sombra, atrás de uma coluna, para esperar a pessoa que iria me buscar.

Enquanto aguardava, escutei um grupo de interactianos que havia acabado de ouvir o meu discurso. Naturalmente, fiquei curioso. O que eles estariam dizendo e o que haviam aprendido com a minha apresentação? Percebi, rapidamente, que o que eles tinham absorvido não era nada do que eu esperava.

Eles não estavam falando sobre o que eu tinha dito, sobre as histórias que havia contado ou sobre as lições que busquei transmitir em minha visita à escola. Fiquei surpreso ao ouvi-los conversar sobre minhas roupas ocidentais, minha experiência profissional e minha empresa. Cada aspecto da minha aparência e do meu comportamento foi esmiuçado e discutido. Assim que eles começaram a especular o carro que eu dirigia, minha carona chegou e tive que sair do meu "esconderijo". Embora eles devam ter ficado um pouco envergonhados, eu sorri, entrei no carro e acenei ao partir.

Independentemente do que eles tenham aprendido naquele dia, o meu aprendizado foi muito maior. Descobri que as lições que ensinamos por meio dos nossos exemplos são muito mais significativas do que as transmitidas com palavras. Percebi que, como líder rotário e pessoa proeminente na comunidade, eu tinha me tornado um exemplo a ser seguido para aqueles jovens. Seus olhos se fixaram em mim de uma maneira que jamais havia notado antes. Se escolhessem me copiar, eles teriam como base o que viram, não o que ouviram.

Todos nós, no Rotary, somos líderes nas nossas comunidades, de uma maneira ou de outra. Todos carregamos a responsabilidade inerente a essa posição. Nossos valores rotários e nossos ideais não podem se limitar aos Rotary Clubs. Eles devem ser levados conosco todos os dias, aonde quer que formos. Mesmo não estando envolvidos em um trabalho rotário, nós sempre representamos o Rotary. Logo, devemos nos portar de forma adequada, seja na nossa maneira de pensar, falar ou nos comportar. Isso é o mínimo que as nossas comunidades e nossas crianças merecem.


Fevereiro de 2016

Na vida, as experiências mais importantes são, às vezes, as mais breves. Elas passam num piscar de olhos. Duram dias, horas, momentos. São estas experiências que ficam na nossa memória e continuam vivas mesmo depois de anos. Nestes momentos, vemos algo que não tínhamos percebido antes, entendemos algo que não havíamos compreendido e criamos vínculos que não esperávamos.

Para mim, este ano está sendo completamente diferente de tudo o que já vivi. Viajei pelo mundo e conheci diversos países e continentes. Fui a lugares que jamais havia visitado e retornei a locais já conhecidos para enxergá-los, pela primeira vez, sob a ótica rotária.

Ao viajar a serviço do Rotary, você tem uma perspectiva diferente e um novo senso de propósito. Você se sente parte de algo muito maior do que si mesmo. Quando você sai de casa de madrugada ou embarca em um avião ou trem rumo a terras desconhecidas, você tem certeza de que não encontrará estranhos no seu destino final. Você sabe que haverá rotarianos, trabalho a ser feito, coisas a aprender e, talvez, algo a ensinar. Haverá a possibilidade de estabelecer contatos, fazer amizades e criar memórias para a vida inteira.

Este ano, como viajante, fui recebido por rotarianos do mundo todo. Daqui a alguns meses, de 28 de maio a 1º de junho, convido você a fazer parte da minha experiência e viajar à Coreia do Sul para a nossa 107ª Convenção.

Os coreanos têm o seguinte ditado: "Quando uma pessoa nascer, mande-a para Seul". A cidade é um destino maravilhoso, com ricas tradições, conveniências modernas e cultura única. Mas eu peço que se junte a mim não apenas pelo turismo, mas pelas experiências que terá com outros rotarianos.

Por um curto período, você verá o Rotary como eu o tenho visto, conhecendo toda a sua diversidade, hospitalidade e potencial. Você será recebido como um velho amigo por pessoas que nunca viu antes, compartilhará suas ideias mesmo não falando o idioma, conhecerá as conquistas do Rotary e sairá de lá inspirado a ir ainda mais além.

Antes do final deste ano rotário, faça o que eu fiz: deixe sua casa, embarque em uma nova aventura rumo ao desconhecido, confiante de que o Rotary irá recebê-lo de braços abertos. Junte-se a mim e a outros companheiros para conhecer a Coreia e se conectar com o mundo!


Janeiro de 2016

Minha religião, o hinduísmo, tem uma história sobre dois sábios: Shaunaka e Abhipratari. Eles eram adoradores de Prana, o deus dos ventos. Certo dia, os dois estavam se preparando para almoçar quando um estudante pobre bateu à porta pedindo por comida.

"Garoto, nós não queremos ser importunados agora", disseram. O jovem ficou surpreso, mas a fome o fez insistir.

"Digam-me, honoráveis senhores, que deus vocês adoram?"

"Prana, o deus dos ventos", responderam os sábios impacientemente.

"Vocês sabiam que o mundo começa e termina com o vento, e que o vento se faz sentir em todo o universo?"

A esta altura, os dois sábios estavam muito irritados com a visita indesejável. "É claro que sabemos disso!", responderam.

"Pois bem", falou o estudante. "Considerando que Prana está presente no universo inteiro, ele habita em mim também, como parte do universo que sou. Ele está dentro do meu corpo faminto, que aqui vem implorar por um pouco de comida! Ao negarem alimento a mim, vocês negam alimento ao deus que dizem adorar."

Os sábios então perceberam que o estudante falava a verdade e o convidaram para cear com eles. Eles compreenderam, naquele momento, que ao abrir a sua porta para um necessitado eles não apenas estavam beneficiando uma pessoa, mas também contribuindo ao alcance de um bem maior.

Na maior parte das vezes, nossa experiência rotária se baseia nas comunidades em que vivemos. Nós nos encontramos semanalmente em nossos clubes, no mesmo lugar e com os mesmos amigos. Enquanto quase todos nós, de uma forma ou outra, prestamos serviços internacionais, o Rotary que vivenciamos diariamente é bastante local. Assim, por vezes perdemos o foco sobre o que realmente significa o nosso trabalho, que é alcançar um bem maior.

Todo impacto que você causa como rotariano, individualmente e por meio do seu clube, é multiplicado pela força dos números. Quando você alimenta quem tem fome, educa quem tem sede de saber e protege crianças contra doenças, parece que o que fez não é muito.

Mas não se deixe enganar. Você é um entre tantos outros fazendo as mesmas boas ações. Conjuntamente, podemos ter o impacto que buscamos: Ser Um Presente para o Mundo.


Dezembro de 2015

Quando o exército canadense liberou a Holanda do Nazismo em 1945, a população estava à beira da fome crônica. Tocados por tamanho sofrimento, quatro soldados baseados nos arredores de Apeldoorn decidiram dar um Natal feliz ao maior número de crianças holandesas.

Eles coletaram barras de chocolate, gomas de mascar, balas e gibis entre seus colegas de divisão. Nos momentos de folga, os quatro trabalhavam com madeira e arames para fazer caminhõezinhos e blocos de montar. Um deles, arriscando ser pego pela polícia do exército, vendeu seus cigarros no mercado negro e utilizou o dinheiro para comprar bonecas de pano. Apesar da tristeza de não estarem com suas famílias em época tão especial, os soldados concentraram sua energia em ações que poderiam alegrar o Natal dos pequenos.

Em 1° de dezembro, já havia quatro sacos cheios de presentes e os soldados aguardavam ansiosamente o dia 25 para distribuí-los. Dois dias depois, eles foram informados que voltariam ao Canadá no dia 6, bem antes do feriado. Tomados por uma mistura de emoções, eles resolveram que o melhor a fazer seria deixar os presentes no orfanato para serem distribuídos no Natal.

Na noite anterior à partida, os quatro se dirigiram ao orfanato, um deles com barba branca postiça e gorro vermelho. No caminho, eles se surpreenderam ao ouvirem o som dos sinos e verem as casas iluminadas apesar do feriado só acontecer dentro de algumas semanas. Ao chegarem, eles viram pela janela cerca de 24 meninos e meninas à mesa do jantar. A guerra havia acabado já há alguns meses, mas ainda havia escassez de comida e as crianças estavam magras e pálidas.

O "Papai Noel" bateu três vezes à porta. Como num passe de mágica, o burburinho que vinha de dentro do orfanato cessou e um padre veio atendê-los. Sua expressão polida deu lugar a um ar de felicidade e as crianças correram alegres em direção aos recém-chegados. Os soldados pensaram que faltava muito tempo até o Natal, mas mal sabiam que chegaram na hora certa. Na Holanda, a véspera de Natal, dia de ganhar presentes do Papai Noel, é no dia de São Nicolau, celebrado em 5 de dezembro!

Durante uma hora foi um alvoroço só, com a abertura de presentes e gritos de alegria. O último caminhãozinho de madeira e a última barra de chocolate foram para um garotinho que esperou pacientemente o tempo todo. Com um sorriso no rosto, o menino agradeceu aos soldados e disse algo ao padre. O padre sorriu, concordando. "O que ele disse?", perguntou um dos soldados.

O padre olhou para eles com os olhos marejados e respondeu: "Ele disse: não te falei que o Papai Noel viria esta noite?'".

Quando espalhamos alegria no mundo, multiplicamos a nossa própria alegria. Ao iniciarmos este mês especial, multipliquemos os presentes que recebemos, compartilhando-os com nossos semelhantes. Vamos espalhar carinho, gentileza e generosidade por meio dos nossos clubes e da Fundação para que cada um de nós Seja um Presente para o Mundo.


Novembro de 2015

Em um domingo ensolarado no final de junho de 1991, durante a hora do rush, uma van passou por uma rua movimentada em Colombo, Sri Lanka, seguindo em direção a um subúrbio na zona norte da cidade. Chegando ao Centro de Comando do Ministério da Defesa, o veículo foi parado pelos seguranças para ser inspecionado. Foi então que os ocupantes-suicidas detonaram sua carga maléfica: uma bomba feita de explosivos plásticos.

O telhado do prédio foi completamente destruído pela explosão, que espalhou destroços por vários quarteirões. Vinte e uma pessoas morreram e 175 ficaram feridas, inclusive muitas meninas que estudavam na escola ao lado. Todas as janelas da minha casa, localizada a mais de um quilômetro de distância, ficaram estilhaçadas. Quando minha esposa ouviu o estouro ensurdecedor, ela correu em direção à explosão, pois a nossa filha estudava naquela escola.

Na ocasião, minha filha tinha apenas nove anos de idade. Naquela manhã, ela tinha esquecido seu estojo em casa e, no momento em que a bomba foi detonada, estava saindo de uma papelaria, admirando os lápis novos que havia acabado de comprar. De repente, seus ouvidos começaram a zumbir, o ar ficou cheio de areia e todo mundo ao seu redor estava gritando, sangrando e correndo. Alguém a puxou para dentro de um dos jardins da escola, onde ela ficou até ser encontrada por minha esposa, que a levou de volta para nossa casa – cujo chão continuava coberto de vidro quebrado.

Hoje, o Sri Lanka é um país pacífico que está prosperando e é visitado por cerca de dois milhões de turistas anualmente. A guerra faz parte somente da nossa memória e estamos ansiosos por um futuro promissor para a nossa nação. Mas muitas outras nações não podem dizer o mesmo. Atualmente, a maior parte dos países de todo o mundo está envolvida em conflitos; 59,5 milhões de pessoas deixaram suas casas e foram deslocadas por causa de guerras e violência.

Apesar de tudo isso, nós, rotarianos, acreditamos que a paz é possível – não com base em idealismo, mas sim em experiência. Temos visto que até mesmo os conflitos mais difíceis podem ser resolvidos quando as pessoas percebem que têm mais a perder ao lutar do que ao trabalhar juntas. Vimos o que pode acontecer quando abordamos a paz de maneiras realmente radicais, como através do trabalho dos nossos Bolsistas Rotary pela Paz que, por meio da nossa Fundação Rotária, se tornam especialista em prevenção e resolução de conflitos. A nossa meta é que eles encontrem novas maneiras não apenas de acabar com as guerras, mas também de impedir que elas comecem.

Entre as centenas de bolsistas que se formaram nos nossos Centros Rotary pela Paz, dois deles são de Sri Lanka e estudaram juntos – cada um de um lado do conflito que mencionei acima. Nas primeiras semanas do curso, eles discutiram passionalmente seu ponto de vista. No entanto, com o passar do tempo, um começou a entender a perspectiva do outro e hoje eles são bons amigos. Ao conhecê-los e ouvir sua história, eu me enchi de esperança. Se o Rotary pode ajudar a superar 25 anos de sofrimento e amargura, não limite para o que podemos alcançar.

Não podemos usar de violência para lutar contra a violência. Porém, quando as nossas armas são educação, compreensão e paz, realmente podemos Ser um Presente para o Mundo.


Outubro de 2015

No mês passado, após um ano inteiro sem registrar nenhum caso do vírus selvagem da pólio, a Nigéria foi retirada da lista de países endêmicos da doença. Como a África não tem mais nenhuma nação nesta lista, restam somente dois países onde a poliomielite é endêmica: Afeganistão e Paquistão. Até o momento em que este artigo para a revista The Rotarian seguiu para prelo, os casos de poliomielite no mundo somavam apenas algumas dezenas.

Este acontecimento merece todo o destaque, já que há milênios a humanidade vem sofrendo com a paralisia infantil. Contudo, graças ao trabalho que fazemos com nossos parceiros, o fim desta doença está ao nosso alcance. A contagem regressiva para nos livrarmos da pólio não é mais em anos, e sim em meses.

Apesar de monumental, nosso sucesso é frágil. Ainda que vagarosamente, continuamos avançando firme e inexoravelmente graças às constantes vacinações em massa de milhões de crianças em campanhas sincronizadas e ao monitoramento para evitar surtos de poliomielite. A escala, a coordenação, o compromisso e o custo com este trabalho são, de fato, impressionantes.

Há quem pergunte o motivo de mantermos níveis tão altos de imunização e vigilância para combater uma doença que basicamente nem existe mais. A resposta é simples: não temos escolha. Se reduzirmos o ritmo atual dos trabalhos e baixarmos nossa guarda, todos os anos de trabalho árduo e dedicação irão por água abaixo. Sabemos que é muito fácil a pólio se espalhar novamente pelo mundo, e não podemos deixar que tantas décadas de trabalho sejam desperdiçadas. É por este motivo que os próximos meses são de extrema importância. Precisamos da sua ajuda para aumentarmos a conscientização, arrecadarmos fundos e mantermos o progresso alcançado até o momento. Precisamos da sua força para permanecermos na luta até conquistarmos a vitória.

O Dia Mundial de Combate à Pólio é celebrado em 24 de outubro. Esperamos que neste dia você participe de alguma atividade relativa à erradicação da poliomielite. Envolva seu clube e distrito e visite endpolionow.org/pt para obter ideias, ferramentas e modelos de comunicado à mídia, além de conhecer as formas de doar. No site você encontrará o link para a transmissão ao vivo do evento que estamos organizando. Divulgue-o nas suas mídias sociais.

Esta nossa luta começou com a pólio, mas, com o tempo, passamos a lutar contra o ódio, a ignorância e o medo. Ela está para ser ganha e, quando isto acontecer, todos teremos histórias para contar aos nossos filhos e netos, os quais jamais verão um pulmão de aço, aparelhos para as pernas ou pessoas rastejando por causa dos efeitos da doença, pois viverão em um mundo sem pólio.

Você é parte desta história de sucesso. Escreva bem o seu capítulo para que, quando ele for contado, você se encha de orgulho.


Setembro de 2015

Um jovem recebeu uma proposta para trabalhar como lenhador e começou o serviço com bastante energia. Na primeira semana, cortou 18 árvores. Na segunda, trabalhou tanto quanto na primeira, mas ficou surpreso ao constatar que havia cortado apenas 11 árvores. Na terceira semana, apesar de ter trabalhado sem parar até o anoitecer, o número caiu para seis. Desesperado, ele foi até o seu supervisor para pedir demissão. "Perdi minha força. Não consigo mais cortar tantas árvores como no início", disse.

O supervisor olhou para o jovem e viu que ele aparentava estar sadio. "Você já pensou em afiar o seu machado?", indagou.

"Afiar o meu machado? Quem tem tempo para isso?", rebateu o jovem, indignado. "Passo o dia inteiro cortando lenha!"

Quando não estamos fazendo tanto progresso quanto gostaríamos, é natural redobrarmos nossos esforços. Às vezes, no entanto, o melhor não é trabalhar mais, e sim com mais eficiência.

Prestem atenção nas suas ferramentas e analisem os processos. Vocês estão usando seus recursos da melhor maneira possível ou cortando lenha com um machado cego?

Nos últimos 20 anos, batemos na tecla do quadro associativo incansavelmente. Definimos metas e lançamos campanhas na tentativa de trazer cada vez mais associados para a nossa organização. Mas ainda assim, nosso número geral continua o mesmo.
É hora de afiarmos nossos machados. Em vez de nos concentramos em como trazer mais associados para o Rotary, devemos nos perguntar "como podemos agregar valor à associação para que mais pessoas tenham interesse em fazer parte da organização e menos queiram deixá-la?".

Foi com isso em mente que lançamos, em julho, o Rotary Global Rewards. Por meio deste programa inovador, nossos associados têm acesso a descontos e promoções de diversas empresas em todo o mundo. Os próprios rotarianos podem solicitar que seus negócios sejam inclusos na lista de empresas participantes, e as ofertas mais atraentes serão adicionadas ao site. Os empresários têm a opção de doar parte do lucro de cada transação à Fundação Rotária, e várias empresas já estão a bordo. Adicionaremos novas ofertas mensalmente. Para aproveitarem esta oportunidade incrível, cadastrem-se no Meu Rotary (www.rotary.org/pt) agora mesmo. Quanto mais rotarianos participarem, mais forte nosso programa será.

O Rotary Global Rewards é muito mais do que mais um programa de fidelidade. Ele é um novo benefício para aqueles que são rotarianos e fazem parte da nossa rede global. Com o programa não só unimos negócios e serviços, mas agregamos valor à associação. Devemos nos lembrar de que os associados em potencial provavelmente se perguntarão o que irão ganhar com a associação. Portanto, devemos demonstrar o valor do Rotary e as vantagens de se tornar rotariano.


Agosto de 2015

Nos anos 30, Ole Kirk Christiansen, um carpinteiro dinamarquês, tinha uma placa de madeira pendurada na parede onde estava escrito "Det bedste er ikke for godt" (apenas o melhor é bom o suficiente). Hoje, Christiansen é lembrado como o inventor do LEGO, os coloridos tijolinhos de plástico adorados pelas crianças. Mas no começo, seu produto mais conhecido era um pato de madeira – feito com o mais alto padrão de qualidade, construído com madeira envelhecida e coberto com três camadas de verniz incolor. A história da empresa LEGO ilustra como Christiansen usou seus patos para ensinar uma lição de qualidade ao seu filho, Godtfred Kirk:

Certa noite, quando cheguei no escritório, disse ao meu pai: "Tivemos um dia bom, pai. Ganhamos um pouquinho mais". Ele rebateu: "O que você quer dizer?". Eu falei: "Bem, acabo de voltar da estação, para onde levei duas caixas dos patinhos de madeira para a cooperativa dinamarquesa. Geralmente colocamos três camadas de verniz, mas como eles eram para a cooperativa, aplicamos apenas duas. Então, economizei um pouquinho para a empresa". Ele olhou para mim desapontado e disse: "Godtfred, vá buscar as caixas e passe mais uma camada de verniz nos patos. Você só irá dormir depois que tiver terminado, e fará o trabalho sozinho". Com o papai não havia discussão. E foi assim que eu aprendi uma lição sobre o significado de qualidade.

Hoje, os padrões de qualidade do Grupo LEGO são muito conhecidos e seus produtos são os brinquedos mais populares do mundo: existem 86 peças de LEGO para cada ser humano.

Todos reconhecemos que este sucesso está diretamente ligado às práticas da empresa – sua insistência em qualidade, eficiência e inovação. Ao fazer uma comparação com o nosso empenho nas áreas de governança e prestação de contas, percebo que, às vezes, não alcançamos os padrões esperados.

Os líderes do Rotary International, das zonas, dos distritos e dos clubes devem manter os maiores padrões de qualidade no que diz respeito à governança. O presidente e os diretores do RI devem servir aos associados de maneira significativa; os líderes zonais devem fazer com que o investimento do Rotary em sua capacitação valha a pena; os administradores distritais devem demonstrar liderança e se concentrar em transparência na administração e na apresentação dos relatórios financeiros; e os dirigentes dos clubes devem enviar à organização os relatórios exigidos e usar o Rotary Club Central.

Assim como Christiansen se recusou a enviar um produto de qualidade mais baixa aos seus clientes, nós também devemos nos recusar a colocar menos empenho no nosso trabalho. Devemos sempre exigir o melhor de nós mesmos – na nossa vida profissional e, especialmente, no nosso trabalho rotário.

Qual o produto da nossa organização? Não são patos de madeira ou tijolinhos de plástico. Nossos produtos são educação, água, saúde, paz, esperança e a própria vida. Para este trabalho, apenas o melhor é bom o suficiente. Peço a vocês que se lembrem disso e se esforcem ao máximo para Serem um Presente para o Mundo.