Rotary.org:

 Ex-bolsista do Rotary usa seus conhecimentos em diplomacia


 
 

Illustration by Roger Chouinard (not for reuse)

N asci em 1974, quando a Letônia ainda fazia parte da extinta União Soviética. Meu primeiro contato com os Estados Unidos se deu na época em que eu era criança, quando junto com meu pai, escutava pelo rádio o programa proibido Voice of America. Ainda pequeno, meu pai foi deportado para a Sibéria e só voltou para a Letônia logo após a morte de Stalin. Ele e minha mãe, como tantos outros letões, sonhavam em morar numa Letônia livre.

Como eu também tinha o mesmo sonho, não pensei duas vezes quando tive a chance de estudar nos Estados Unidos como um dos primeiros letões a ganhar uma Bolsa Educacional da Fundação Rotária. Jamais imaginei que um dia eu editaria um livro, que veio a ser Latvia and the United States: A New Chapter in the Partnership, publicado em 2012.

Terminei o ensino médio em 1991, época em que a Letônia estabeleceu sua independência da União Soviética. Na Universidade da Letônia, eu fui um dos primeiros alunos a estudar ciências políticas e relações internacionais com base nos padrões acadêmicos ocidentais, já que antes, na era soviética, os alunos tinham que aprender sob a ótica comunista.

O país estava reconstruindo suas instituições, e por isso foi fácil iniciar minha carreira rapidamente. Tudo era novo e havia muitas oportunidades, ao contrário de hoje, onde existe grande concorrência.

Quando em 1995 eu trabalhava meio período no Parlamento Letão, ouvi falar sobre a bolsa oferecida pela Fundação Rotária através do Rotary Club da minha cidade, Riga. Este foi o primeiro clube do país, aberto nos anos 1930, mas que ficou fechado durante a ocupação soviética.

A Bolsa Educacional foi patrocinada por um Rotary Club da Flórida. Eu não sabia muito sobre o Rotary naquela época e simplesmente agarrei a chance de vir para os Estados Unidos ampliar meu horizonte educacional. Estudei na Universidade Lynn, em Boca Raton. A maioria dos alunos eram americanos, e alguns da América Central e do Sul. Para mim, vindo de um país europeu pequeno, foi um desafio e tanto estar em um ambiente internacional, mas isso me fez pensar de maneira mais global.

Fiquei muito amigo dos rotarianos Steve e Iris Laine, meus “pais da Flórida”. Eles compreenderam minhas necessidades e me deram todo o suporte. Steve e eu viajamos até a Califórnia, e visitamos mais de 30 Rotary Clubs. Isso foi muito bom, pois tive a chance de representar meu país e conhecer várias pessoas. Na viagem aprendi mais sobre o Rotary, seus ideais e objetivos mundiais. Mas a parte mais valiosa foi a experiência pessoal, de conhecer pessoas novas e fazer amizades. Fui ganhando confiança pela interação que tive com pessoas de outros países, de diferentes culturas e religiões.

Logo após o término da minha bolsa, fui indicado para servir como o primeiro secretário letão nas Nações Unidas. Depois trabalhei para a Letônia em Genebra, e fui observador das eleições na Bósnia pós-guerra. Mais tarde, trabalhei em um projeto pró-democracia e cidadania na Letônia.

A ideia de lançar o livro veio da Embaixada Letã em Washington, D.C., e contou com o patrocínio da Associação Letã-Americana e do Centro de Estudos Políticos do Leste Europeu. O livro foi uma oportunidade de fortalecer laços entre Estados Unidos e Letônia a partir da análise de tudo o que podemos fazer como parceiros e amigos em termos de defesa, economia, energia, cultura, ciências e tecnologia. Fui convidado para ser o editor do livro graças à minha experiência internacional e a meus contatos nos círculos diplomáticos da Letônia. Foi uma honra ter sido escolhido para a tarefa, e tive a chance de trabalhar ao lado de grandes pesquisadores e analistas. A parte que eu mais gostei foi a pesquisa acadêmica. Eu estou agora terminando minha tese de doutorado em processos de imigração internacional e política.

A história letã não é das mais aprazíveis. Fomos ocupados durante praticamente todo o século 20, pelos soviéticos e nazistas. As nações do Báltico eram neutras antes da Segunda Guerra Mundial, e embora a neutralidade soe como algo bom quando se pensa em paz, ela também significa isolamento. Quando o país é pequeno e fica isolado, o risco de perder a independência é muito maior, e foi justamente isso o que aconteceu com a Letônia.

Minha esposa é juíza do Supremo Tribunal da Letônia e nós temos uma filha de 12 anos, chamada Zane. Em 2011, fomos à Convenção do Rotary em Nova Orleans, e Zane gostou muito. Ela começou a aprender inglês, e já tem um bom conhecimento das entonações da língua pela forma expressiva como os rotarianos falam com orgulho sobre seu trabalho, especialmente a luta contra a pólio. Foi uma emoção muito grande para nós conhecer Bill Gates – tão rico e famoso e ao mesmo tempo tão acolhedor e gentil. Houve muitas apresentações interessantes, e Zane viu que muitas pessoas estão sofrendo no mundo. Ela já sabe que todos nós podemos fazer algo para fazer do mundo um lugar mais feliz.

Eu não sou rotariano, mas estou participando de vários projetos rotários. Minha mãe é artista e tem problema na coluna. Ela é responsável por uma organização de pessoas com deficiências na Letônia. Um de seus projetos anuais é a coordenação de atividades para estas pessoas que acontece pelo trabalho com os Rotary Clubs da área, e eu a ajudo com isso. Eu mantenho contato regular com Steve Laine, e depois da minha defesa de tese quero me envolver mais com o Rotary.

Quando a Letônia conquistou novamente sua independência, o foco foi em construir pontes de amizade com os países ocidentais o mais cedo possível. Com a internet e outras tecnologias, a construção dessas pontes não cabe mais somente aos governos e instituições de porte. Pessoas comuns podem construir essas pontes e os rotarianos são um belo exemplo disso, assim como os bolsistas Rotary pela paz. Aqueles que conheci se tornaram parte da minha rede de contatos. São pessoas que acreditam ter a habilidade de mudar o mundo. Esta é a força do Rotary e a razão que todos temos de continuar tendo esperança.


Comentário:

* indica campo obrigatório