Pilares sólidos
Por Helen Reisler
Conforme relatado a Stuart Cleland e Donna Polydoros
Ilustração de Louisa Bertram
Em julho de 2001, eu fui eleita a primeira mulher presidente do Rotary Club de Nova York em seus 92 anos de existência. Como tinha grandes planos para meu mandato, peguei o microfone e anunciei toda minha programação para o ano dizendo: “A única diferença que vocês vão ver é que o presidente do clube agora usa batom”. Todos brindaram e acharam que aquele era o grande acontecimento do ano.
Naquela manhã, eu estava em meu apartamento me preparando para a reunião do meu clube quando minha filha me telefonou pedindo para que eu ligasse a televisão. Assisti horrorizada o segundo avião atingindo a outra torre e me dei conta de que estava ilhada. Minha família estava em outro lugar, e eu estava preocupada de que alguns associados do Rotary Club estivessem no World Trade Center naquele momento. Nunca me senti tão sozinha.
Quando liguei meu computador, vi e-mails de rotarianos do mundo inteiro perguntado como poderiam ajudar. Eu passei dias tentando responder a todas as mensagens. Os cheques começaram a chegar. Liguei para o diretor-executivo de nosso clube e pedi para que ele abrisse uma conta bancária especial, e logo após eu requisitei uma reunião de emergência no clube.
Naquela época, nosso clube tinha 185 associados. Tivemos a sorte de não perder ninguém por causa do atentado. Eu me lembro de ter pensado o quanto era importante fazer com quer nossos associados se sentissem seguros e tivessem esperança. Minha preocupação era de que os associados que moravam fora de Manhattan não viessem à reunião, mas mesmo em meio de tudo o que estava acontecendo todos vieram.
Nós tocamos canções patrióticas em todas as reuniões. Convidei bombeiros e pessoas que haviam sido feridas a participar, e também pessoas que perderam entes queridos. Fiz do clube um refúgio para pessoas que foram duramente afetadas pelos ataques. O intuito não foi apenas para apoiá-los, mas também para motivar os associados do meu clube.
Muitas vezes eu ficava acordada até as 3 da manhã coordenando as equipes que eu organizei. Esta foi umas das coisas mais importantes que eu fiz: fazer contato pessoal com os associados, organizar e motivá-los, resgatar um pouco de sua esperança. Nós usamos a internet para explicar aos doadores o que estávamos fazendo com o dinheiro. Cada um de nossos associados tinha um talento diferente. Um era perito em odontologia forense, que foi ao local ajudar na identificação das vítimas; um outro oficial da New York Lung Association, que ia diariamente ao local para testar a qualidade do ar; um outro ainda era dono de um serviço de entrega, utilizando sua van para levar garrafas de água ao local. Um associado de 85 anos ajudou o Exército da Salvação a servir refeições.
Tínhamos uma comissão para identificar as pessoas que necessitavam de dinheiro. As equipes iam a igrejas, sinagogas, corpo de bombeiros e delegacias. Fomos à reuniões de diversas instituições de caridade para descobrir os locais que precisavam de mais ajuda. Encontramos inúmeras pessoas com histórias comoventes. Alguns haviam perdido filhos, e viram-se de repente numa situação que tinham que cuidar de seus netos. Outro perdeu sua filha, que o ajudava a pagar o aluguel e a manter sua casa.
Quando os Rotary Clubs de Michigan se ofereceram para ajudar as crianças que perderam um dos seus pais nos ataques, decidi formar outra comissão para o caso. Os clubes adotaram oito mães e seus filhos. Por um ano, os clubes enviavam dinheiro para manter as famílias e cartas de apoio. A comissão também organizou uma maneira de ajudar os policiais e bombeiros que trabalharam dia e noite no local por meses a fio. Os voluntários ofereceram a eles fins de semanas em casas de campo em Nantucket. Enviamos um bombeiro e sua família para a Nova Zelândia e um casal para a Inglaterra.
Todo ano nós prestigiamos os bombeiros e policiais e sempre recebo telefonemas de pessoas que ajudamos. No ano passado convidei o bombeiro John Jonas e sua equipe, que estavam dentro do World Trade Center no dia dos atentados, para falar em nosso clube. Eles deram depoimentos de como ajudaram a resgatar as pessoas. Todos na sala ficaram muito comovidos com as histórias.
Muitas vezes as pessoas comentam o quão difícil deve ter sido estar na presidência de um Rotary Club naquela época. Eu acho que não teve nada de difícil. Sou muito grata às circunstâncias que me colocaram na presidência do meu clube para viver aqueles momentos turbulentos da História em primeira mão. Sou muito grata por ter conseguido usar minhas habilidades e minha capacidade de inspirar. Eu fiz isto por mim e para abrir as portas para outras mulheres. Muitas se juntaram ao clube; muitas delas jovens. De alguma forma, eu me tornei uma mentora, e eu amo de coração poder inspirar as pessoas, instilar nelas o orgulho de pertencer a um Rotary Club.